Palavras não falam
Mariana Aydar
Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo e vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco e ele me mostra o que eu não
sei
E me faz ver o que não tem palavra
Por mais que eu tente, são só palavras
Por mais que eu me mate, são só palavras
Hoje fui lá afinar a harpa. A professora me emprestou uma chave de afinação e um afinador eletrônico. Mas o afinador não funcionou. E eu afinei 46 (!!!) cordas DE OUVIDO!! É...não tô tão ruim em percepção como pensei. ;) Digo 46 porque uma não consegui afinar DE JEITO NENHUM. A primeira corda da harpa, grave demaaaaaaais, não conseguia ouvir muito bem o som, pelo menos não tão milimetricamente como uma afinação precisa ser ouvida. Então depois de passar uns 40 minutos afinando (argh!), estudei um pouquinho. Para os entendidos: intervalos de 7a e 8a e tríades harmônicas e melódicas. As melódicas são lindas, parece que você está no céu!

Esta é a chave de afinação.
Mais eu quero mesmo é falar da QUANTA. Acho que ainda não falei. A Quanta é uma banda de rock (duas guitarras, baixo e bateria) que já tinha um vocalista (com uma voz rouca e deliciosa, diga-se de passagem), mas que me convidou para cantar TAMBÉM. A gente não soube bem como seria, uma banda de rock com dois vocais, a gente não é banda de metal, nem banda de axé, como é que seria isso? Sei lá. A gente foi experimentando. "Você gosta mais de pop rock ou de rock mais pesado, Ellen?" "Pesado!", eu respondi. "Então bora botar peso." E tome-lhe nós tentando botar peso numa voz delicada como a minha.

Eu já falei que a Quanta é a melhor banda de rock do mundo?! Não, ainda não falei, né? Sabe aquele sonho que você tem quando adolescente, "eu queria montar uma banda de rock assim e assado?" Eu nunca levei isso muito adiante, porque não é nada com que eu sonhe viver, tipo, acho que não vou ser cantora de rock pra viver a minha vida, como a Pitty. Então nunca fiz muita força nem pra participar de, nem pra montar uma. Mas a Quanta me faz tão bem...que eu já nem sei!
Eu sempre digo que ter uma banda é como ter 5 (ou mais, ou menos) namorados ao mesmo tempo. Se de um eu não dou conta direito (emocionalmente, vejam bem), imagine de 5! Confusão total, né? Eu sempre me senti meio assim. Porque é sempre muita confusão, muito ego, muita força de uns, muito deslexo de outros. Na Quanta não. Eu ganhei 4 "namorados", mas são os melhores do mundo! Todo mundo está lá com a mesma intensão de se divertir, de fazer um som o mais legal possível, de colocar a música em primeiro lugar, de colaborar, de saber que é preciso gastar enegia pra depois ganhar. A opinião do baterista tem o mesmo valor que a do vocalista ou do guitarrista; as pessoas respeitam o que eu sei sobre música e me ouvem, mesmo eu sendo "apenas" a vocalista; posso sugerir arranjos. E eu também ouço a experiência deles, o que eles acham ser o melhor flow.
Eu já disse que a Quanta é a melhor banda de rock do mundo? :) Não sei se o público vai achar o mesmo, mas no coração desta vocalista que vos fala...A QUANTA É A MELHOR BANDA DE ROCK DO MUNDO! (Pronto, falei.)

Luiz (guitarra solo), eu e Juca (vocal e guitarra base)
Hoje aconteceu o primeiro concurso para professor de Canto Popular na Escola de Música da UFBA. Professor ainda substituto, mas...contratado! A melhor parte: será MEU professor.
Hoje recebi minha primeira chave de afinação de harpa. É emprestada, mas...se eu uso, é minha. Imagine, afinar 47 cordas! :) Treino exaustivo de percepção!
Hoje entreguei minha primeira partitura de uma música inteirinha tirada por mim. Baixo, guitarras e voz, tudo escrito em pentagrama. Música popular, diga-se de passagem. Deve estar tudo errado, mas eu fiz SOZINHA!
Hoje me disseram que sou indispensável num certo trabalho e estou cheia parecendo um balão.
Hoje eu comecei a produzir um trabalho que eu queria há muito tempo. E consegui um colaborador que eu jamais sonharia que toparia conversar comigo, que dirá trabalhar comigo!
Hoje foi um dia muito importante. Realmente.
Eu ODEIO auto-ajuda. Mas ontem o professor colocou uma fita* (?!) e não tive como não ouvir, seria deselegante sair da sala na hora. Então ouvi. E gostei.
O homem analisava o que fazia as pessoas terem sucesso. Ia analisando uma resposta por vez, respostas que eu daria: esforço, fé, sorte. Vejo no mundo da música - acho que até já comentei aqui - quantos bons músicos vão ficando pra trás. Desistindo. Talento? Tantos talentosos desistem; tantos esforçados não chegam lá; tantos têm sorte sem grande esforço. O que faz a gente ter "sucesso"?
A fita (?!) dizia que tudo isso poderia se resumir em MOTIVAÇÃO. É a motivação que faz com que a gente se esforce, adquira um talento, tenha fé, enxergue a sorte quando ela aparece. Talvez sucesso não seja propriamente chegar exatamente onde a gente sonha, mas...continuar na estrada que a gente escolheu. Em outras palavras, é o AMOR. Eu não acredito em auto-ajuda, mas acredito em AMOR. Acho que o que a gente faz com amor já é um sucesso, independente do que aconteça no fim. Se é que vai haver fim... Então posso, talvez, já me considerar uma cantora "de sucesso"!
Me disseram que eu passo 70% do meu tempo me preparando pra ser uma boa cantora, sonhando com isso, mas não tenho feito acontecer. E acabei de ler esta frase aqui num livro:
"A humanidade espera que você manifeste plenamente a sua capacidade e realize algo de bom. Não deve decepcioná-la.^"
Está bem...demos um passo à frente, então.
* É...é de meu tempo. :/
^ TANIGUCHI, Masaharu. Leve avante sua vida. 6.ed. São Paulo. Seicho-No-Ie do Brasil, 1999.
Uma linda aluninha minha fez um lindo poeminha. (sorriso) Achei a cara do meu bloguinho. Leiam e entendam porquê.
Condão
Tive desencantos
que passaram: sapos.
Outros encantados,
que pousaram: pássaros.
E eu, com minha varinha,
ando voando livre:
Andorinha.
Ania Reis de Aragão
Março/2010
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